quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Qual o papel da Comunicação?
Me preparando...
Na semana passada, o tema da Floresta Urbana Água Comprida dominou o blog, e não podia ser diferente. A área voltou a ser ameaçada por empreendimento imobiliário e o que nos deixou totalmente apreensivos. Não só o pessoal aqui do coletivo ou do Movimento pela Preservação..., mas a população em geral, que se manifestou aqui no blog e também no Jornal da Cidade (http://www.jcnet.com.br/), utilizando a única ferramenta que temos até então: a comunicação, cada vez mais impulsionada pelas novas tecnologias e outros tipos de intervenção. Podemos expressar nossa opinião com muito mais agilidade e dimensão no canal virtual, e através dele também buscar espaço em meios tradicionais.
É possível alguma mudança comportamental a favor da conservação e manutenção dos recursos naturais? Qual o papel da comunicação neste sentido? mobilizar, conscientizar, educar, informar? Não sei. Estas questões colocadas pela Margarida Kunch (teórica da comunicação) me fizeram refletir na última semana, haja vista as mobilizações em prol da floresta. Paulo Freire lembrou bem que a educação pressupõe um ato comunicativo, portanto...
Bom, os exemplos da mobilização estão no site do Vidágua (http://www.vidagua.org.br/). Separamos trechos das cartas de populares publicadas pelo JC no "Quadro de Avisos". Vale a pena conferir.
E sábado agora, dia 29, vou ministrar o workshop aqui no Vidágua sobre o papel da comunicação/jornalismo na divulgação das questões ambientais, novas estratégias, ferramentas, cobertura da grande imprensa e mídias alternativas, e claro a experiência do Vidágua em todo esse processo de comunicação e novas tecnologias da informação. Ainda dá tempo! Para mais informações contato@vidagua.org.br
Um Forte Abraço e excelente final de mês de novembro. Agora é ladeira abaixo!
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Trabalhando contra o relógio.
Nós, a Água e a Floresta - Maria Helena
Formei-me em Direito em 1983, dois anos após a promulgação da Política Nacional do Meio Ambiente, porém nunca ouvi falar sobre leis ou questões ambientais na faculdade. Meu primeiro contato com a legislação ambiental foi após 1985 e, garanto para vocês, não foi positivo. Nessa época trabalhava em uma empresa têxtil. Lá, usam-se corantes e todo efluente da indústria era despejado no rio, sem qualquer tratamento. A cidade de São Paulo sentia bastante os problemas ambientais e, com o amparo da lei, a justiça começava-se a exigir a adequação das indústrias poluidoras. Era uma novidade no País e os dirigentes empresariais ameaçavam deixar a cidade (no caso específico, mudança para o Nordeste onde ainda podiam poluir à vontade). Os funcionários, com medo de perder os empregos, ficaram revoltados com a “imposição”. Eu, confesso, estava entre eles.
Mais de 20 anos após, aqui estou eu, estudando e batalhando em defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado. Mais de 20 anos e ainda há muita gente que continua achando que as leis ambientais e a defesa do meio ambiente são entraves ao desenvolvimento. Há 20 anos estávamos bastante atrasados no trabalho de recuperação e preservação de nossos recursos naturais e, ainda hoje, só estamos dando os primeiros passos.
Até quando precisaremos brigar, para garantir qualidade de vida às presentes e futuras gerações? Até quando vamos ter que gritar a importância dos remanescentes florestais para manutenção da vida? Não temos como recuperar o que já foi perdido, mas podemos garantir o mínimo que ainda temos.
Temos que conservar o que resta de mata em todos os biomas, especialmente, as que estão próximas de nós ou, mais precisamente, dentro de nossa cidade. Vamos continuar unidos em defesa da preservação da Floresta Urbana Água Comprida. Todos à luta!
Beijos,
Maria Helena.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Experiência local, conhecimento global

Há uns dez dias o Movimento pela Preservação da Floresta Urbana Água Comprida se viu obrigado a retomar uma maciça campanha contra o desmatamento de 60 hectares de mata de transição, onde o Cerrado e a Mata Atlântica ainda estão preservados em plena área urbana de Bauru. Isto porque já estávamos tranqüilos com a publicação do Plano Diretor Participativo, que em seu artigo 66 definiu o local como Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) e proibiu qualquer desmatamento. Mas os empreendedores também estão em campanha, por sua vez, junto ao legislativo local, para abrandar os efeitos da própria lei aprovada por eles!
Enfim, a discussão sobre a preservação de matas de Cerrado não se limita a Bauru. Este bioma não é protegido como a Mata Atlântica ou Amazônia, elas sim comentadas por todos pela exuberância de suas árvores e pelas frondosas florestas que formam. O Cerrado, coitadinho, é todo torto, tem áreas descampadas, gosta do fogo, é pequeno, enfim, é um patinho feio no meio dos cisnes... Mas ele está presente em 11 Estados brasileiros, é o segundo maior bioma em extensão, tem uma riqueza de biodiversidade maior que muitos países, é a base de subsistência de diversas comunidades tradicionais, ou seja, ELE PRECISA SER PROTEGIDO.
Restam apenas 20% de sua cobertura original e no Estado de SP apenas 1%!!!!! No dia 26 (quarta-feira) haverá uma manifestação em Brasília para apresentar ao Ministério do Meio Ambiente, Senado e Câmara Federal 50 mil assinaturas em defesa do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 115/150, que determina que o Cerrado e a Caatinga (outro bioma desprotegido) sejam considerados patrimônios nacionais.
A Floresta Urbana Água Comprida representa nossa luta local. A defesa do bioma Cerrado representa uma luta nacional. Nós devemos estar conectados nessas lutas, pois elas, quando transformadas em políticas públicas, podem transformar a realidade e evitar que outras florestas urbanas sejam ameaçadas pelos interesses particulares.
Um grande abraço!
P.S.: para os que não leram o Jornal da Cidade de ontem recomendo que busquem no site www.jcnet.com.br a excelente matéria sobre a Floresta Urbana e a fábula da floresta registrada na coluna Opinião.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Cada um somado faz a decisão do coletivo
Continuando a discussão sobre a floresta urbana água comprida, venho aqui apresentar a minha opinião sobre o assunto.
Uma das estratégias mais democráticas de decisões políticas sobre ações que envolvem o setor público é justamente as audiências públicas e a participação em conselhos municipais que permite a participação popular organizada (ver post da semana passada).
Pois bem, quando a participação é coletiva o poder público, através de nossos representantes municipais (prefeito e vereadores) devem respeitar o que a população decidiu ou pensa sobre o assunto em discussão, certo? Pois é, nem sempre é assim que as decisões ocorrer, pois questões políticas geralmente são decididas em horas inimagináveis, ou seja, quando achamos que o assunto já está encerrado, vem a notícia ingrata.
Dai então a importância da participação, e expressão da opinião de nós cidadãos comuns e formadores de opinião, que justamente serve para mostrar que estamos de olhos bem abertos e iremos cobrar as decisões pelas quais a população opinou.
Participem também dessa discussão e ajude-nos a preservar o que é de todos!!!!
abs,
até semana que vem..... ah descupem pelo atraso !!!!
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Muito mais que uma floresta!
Decepcionada, acuada, apavorada...
O tema desta semana não poderia ser outro: A preservação da floresta urbana água comprida, aqui em Bauru. Pode parecer uma pequena luta, em vão, uma vez que os interesses comerciais sempre prevalecem. É um discurso clichê, mas acredite, desta vez é necessário colocar na balança a grana e o verde, o desenvolvimento desenfreado e a qualidade de vida, o interesse público e o particular (como bem colocou minha companheira Ivy em seu post).
São 60 hectares de vegetação nativa, fauna, flora, rica em biodiversidade, beleza natural, manutenção do tal do microclima (que nem sei bem o que significa, só sei que não há nada melhor que descansar na sombra de uma árvore). Não se trata 'apenas' de uma floresta, é vida, de qualidade, agora ameaçada por empreendimento imobiliário.
Para nós bauruenses será um grande trunfo conseguir manter essa floresta em pé, mostrando também a força e as prioridades do município, ou melhor de sua população. Formamos um amplo Movimento pela preservação da Floresta Urbana Água Comprida, coletamos 16 mil assinaturas, mantivemos o diálogo aberto com políticos e empresários, recebemos a cada dia manifestações da população reivindicando esta área (haja vista as cartas diárias publicadas no JC http://www.jcnet.com.br/) abrimos agora uma canal direto sobre a floresta no blog, porque sabemos a importância ambiental e social da área.
É muito mais que uma floresta. É Bauru em outro destino. O da preservação ambiental (Contamos com nosso futuro prefeito ambientalista!)
O que você está esperando para se manifestar?
esperançoso abraço!
terça-feira, 18 de novembro de 2008
É MUITA CARA DE PAU!!!
Fala povo!!!!!
Hoje vou falar sério, pois estou bem chateada...
Não dá pra acreditar que ainda existam pessoas que “acreditam” que se pode fazer tudo, a qualquer preço, pelo tal do desenvolvimento... Que a destruição do meio ambiente é justificável quando se trata do tal do progresso...
Aqui em Bauru o Vidágua, junto com outras instituições e amigos, luta a mais de um ano pela preservação de um fragmento florestal que ainda resiste dentro da cidade. Esta “ilha verde” está correndo perigo, uma vez que empreiteiras de São Paulo querem transformar a mata em arranha-céus...
Eu não sei se sou muito ingênua, mas não entra na minha cabeça como 30 prédios, de 12 andares cada um, podem trazer mais benefícios para uma cidade do que 60 hectares de mata. Essa mata abriga espécies de animais e plantas, auxilia no resfriamento do clima do entorno, favorece as trocas gasosas, “limpando” um pouquinho nosso ar...
Quem conhece Bauru sabe que a cidade está cheia de prédios, de vários modelos e custos, que podem muito bem absorver quem quiser morar por aqui. E também tem inúmeros vazios urbanos que poderiam ser utilizados para construir esses 30 ou mais prédios!!
Outro ponto muito importante, que pouca gente pensa, é que para construir um complexo de moradias como esse, primeiro teriam que estudar de onde virá a água para todo esse povo que morar ali.
Vão furar um poço??? O Departamento de Água e Esgoto do município já divulgou que a cidade está no limite da exploração de água subterrânea. E não seria qualquer pocinho que abasteceria mais de 5500 pessoas que morariam ali...
Mas o mais importante, e que devemos estar atentos, é que os nobres vereadores (a maioria sem conseguir a reeleição) estão querendo modificar o Plano Diretor Municipal, onde está escrito que esta área não pode ser desmatada, apenas para beneficiar os empresários que querem derrubar a mata!!! Depois de diversas reuniões com discussões populares do PD, e da coleta de mais de 16 mil assinaturas pelo Movimento pela Preservação da Floresta Urbana do Parque da Água Comprida, onde a maioria da população entendeu a importância da área e de sua preservação, os digníssimos edis acham que podem alterar o que já foi resolvido para atender interesses particulares.
É MUITA CARA DE PAU!!!
O Vidágua está lutando com unhas e dentes para preservar esse remanescente florestal, mas todos devem se envolver também!!!
Não apenas por aquela floresta, mas para garantir o cumprimento de leis e decisões que já foram acordadas. Isso não pode virar rotina!!
O povo se reúne, discute, coloca suas dúvidas, interesses e idéias em um documento OFICIAL e depois muda tudo... Vereadores e empresários acham que podem tudo e desconsideram totalmente os interesses e opiniões do povo!!!
Água e Floresta são gêneros de primeira necessidade!!
De que adianta um apartamentozinho bonitinho, se não tiver água pra beber e nem ar pra respirar???
Inté...