segunda-feira, 14 de julho de 2008

A BUROCRACIA QUE PODE AJUDAR A FLORESTA!

Políticas para a Preservação da Água&Floresta - Ivy


Quando eu estava no colegial (heheheheh, agora é Ensino Médio, perdão) queria ser diplomata, mas do estilo Mafalda, sabe? Não sei se vocês lembram dos quadrinhos do Quino, mas a portenhazinha se imaginava intermediando conversas de líderes de Estado raivosos e ela transformava as frases em idéias cordiais e tudo acabava bem, para o bem da Humanidade. Pois é, não me tornei diplomata, porém o destino me fez freqüentar Brasília pelo menos uma vez por ano para tratar de assuntos ambientais. Desde o mês passado aumentei consideravelmente minhas idas à Capital porque passei a ocupar a vaga do Vidágua no Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), onde representamos as entidades ambientalistas em nível nacional (de 20 em 20 dias, emito toneladas de dióxido de carbono, by avião).

As discussões são ferrenhas como as que a Mafalda imaginava, mas aquele romantismo das traduções doces que acabavam num final feliz infelizmente não acontecem... No entanto, nem tudo são espinhos! Semana passada participei de uma discussão na Câmara Técnica de Controle e Qualidade Ambiental que me lembrou muito as contribuições sobre CONSUMO que estão acontecendo aqui no VidÁgua&Floresta. O André Lima (advogado, ambientalista, no governo até aquele dia – pediu demissão saindo da reunião!, e gato – heheheh), diretor de ações de combate ao desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, apresentou uma minuta de resolução para diminuir o desmatamento em todos os biomas brasileiros (a Amazônia que me desculpe, mas o Cerrado e a Mata Atlântica também merecem proteção!).

A idéia é promover o monitoramento da cadeia de fornecedores agropecuários para as atividades industriais. Traduzo: sabe o frigorífico que faz o corte e embala a carne para o SEU (ei, psiu, é com você mesmo!) churrasquinho no final de semana? Pois é, com a resolução ele precisará saber e informar aos órgãos ambientais quem vendeu o boizinho pra ele e onde fica a propriedade. O local da criação, ao ser identificado, é alvo de fiscalização para que se saiba se a área é licenciada e, em caso de desmatamento, se o mesmo é autorizado pelos órgãos competentes. Ou seja, é possível descobrir um desmatamento ilegal e tomar as providências necessárias, responsabilizando não só o produtor/fornecedor, mas toda a cadeia produtiva.

Na reunião, o representante da Confederação Nacional dos Transportes pediu vistas (o que significa pedir o processo para analisar), por isso não aprovamos a minuta ainda. No próximo dia 06/08 ela volta para a pauta e, se houver concordância, ela vai para a plenária do CONAMA e pode virar de fato uma regra nacional. Aí começa a batalha da Mafalda, convencer os mais de 100 conselheiros de que a proposta é importante para o país e para garantir a preservação do que ainda nos resta de florestas, e que o setor produtivo pode aproveitar essa estratégia como diferencial de mercado.

Torçam daí que eu faço a minha parte daqui! Enquanto a resolução não é aprovada, CONSUMIDORES, vamos prestar atenção nos produtos que compramos! De onde vêm?

DICA: depois que conheci a “blogosfera” passei a procurar blogs ambientais (e outros nem tanto). Ontem conheci o http://futureatrisk.blogspot.com/, de uma organização portuguesa chamada “350” (350 partes por milhão é a quantidade de dióxido de carbono aceitável para a manutenção dos ciclos da vida no planeta, daí o nome do movimento). Vale a pena conferir! Até a próxima semana!

2 comentários:

ofelia disse...

Meus parentes que trabalham com gado, frigorifico e distribuicao de carne na regiao do Veneto, Italia, ha muito tempo tiveram que adaptar e automatizar toda a estrutura. As carnes sao devidamente embaladas, seladas, e no selo tem todas as informacoes, inclusive de onde o gado vem. Nao sabia que no Brasil isso ainda nao acontecia. Mas pensando bem, nao acontece mesmo, o acougue da esquina da minha mae vende carnes de criadores amadores das redondezas. Vai saber como aqueles frangos sao criados e preparados para o nosso consumo.....Nao gosto nem de pensar.....argh....

Ivy disse...

Pois é, é justamente esse o ponto: será que estão sendo feitos sacrifícios para que nós tenhamos conforto? Será que nossa saúde e a qualidade ambiental estão assegurados em todo o processo?